HAHA

"Imagino que sempre se possa ter esperança."

Stephen King

"Prenda-se ao seu foco. Essa é a diferença entre uma boa pintura e apenas mais uma imagem entulhando um mundo repleto delas."

Stephen King

domingo, 5 de outubro de 2014

VALE LER

Minha amiga Celina Portocarrero traduziu o livro "Casados com Paris", de Paula McLain. Apesar do trágico título, o livro é excelente e a tradução, como sempre, primorosa.

O texto conta a história do acidentado primeiro casamento de Hemingway, nos anos 20 do séc. passado e segue com o relato da acidentada vida do dois até a velhice.

O que mais gostei foi ver que viemos discutindo, do início do séc passado até os dias atuais, a questão da fidelidade e do limite das permissividades no casamento. Minha conclusão é que a matemática continua exatamente como a daquela época: um + um só pode ser dois. Se, por um desvio do destino, o resultado for três, mesmo que se tente, não há como manter a relação sem pagar um preço muito alto de sofrimento. 

Há também outra coisa admirável dessa história: vemos a relação do casal atravessar diversas fases, a alegria da descoberta do outro, a intensidade do amor correspondido, o desespero e dor da separação. Mas, sobretudo, aprendemos que não importa o que aconteça, o amor, quando é assim, forte e imperioso, permanece e nos acompanha até o fim da vida. Não há dor ou separação que destrua ou apague esse sentimento. Apenas o tempo vai fazendo que ele seja sentido mais suavemente, vai possibilitando um afastamento físico, vai ajudando a seguir a vida. Mas o amor fica lá, enraizado.

Só pra dar água na boca, alguns trechos:

“Não conseguia esquecer nada do que ele me dizia. Era assim.”

“Agora está feito, não está? É tarde demais para voltar atrás e de qualquer maneira vc não voltaria. Voce precisa se lembrar disso mais tarde, quando vir sua mulher e quiser morrer por magoá-la. Lembrar que ninguém o obrigou a fazer coisa alguma. Nunca é alguém além de vc quem faz alguma coisa, e só por essa razão vc não deveria se arrepender.”

“- Que vão todos para o inferno. Nada nos magoa se não deixarmos.
- Vc acredita mesmo nisso?
- Preciso acreditar.”

Agora só havia mentiras e conciliações. Ele mentira para todos, a começar para si mesmo (...). Mas ele estava perdendo o controle, se é que já tivera. As mentiras ficavam maiores e mais difíceis, todo o tempo..” (como no original)

“Ele era na verdade um grande enigma – bom, forte, fraco e cruel. Um amigo incomparável e um filho da puta. No fim, nada havia a respeito dele que fosse mais verdadeiro que o resto. Tudo era verdade.”

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