HAHA

"Imagino que sempre se possa ter esperança."

Stephen King

"Prenda-se ao seu foco. Essa é a diferença entre uma boa pintura e apenas mais uma imagem entulhando um mundo repleto delas."

Stephen King

terça-feira, 4 de novembro de 2014


Quem sabe , faz

um poema de Fernando Pessoa


"É fácil trocar as palavras,
Difícil é interpretar os silêncios!

É fácil caminhar lado a lado,
Difícil é saber como se encontrar!

É fácil beijar o rosto,
Difícil é chegar ao coração!

É fácil apertar as mãos,
Difícil é reter o calor!

É fácil sentir o amor,
Difícil é conter sua torrente!

Como é por dentro outra pessoa?
Quem é que o saberá sonhar?

A alma de outrem é outro universo
Com que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro entendimento.

Nada sabemos da alma
Senão da nossa;

As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,

Com a suposição
De qualquer semelhança no fundo."


quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Lições de Vida 

mais algumas




a próxima eu devo a Rafael Alberti
 poeta espanhol da geração de 27



Lições de Vida


Seja um dito popular, uma história em quadrinhos ou uma fotonovela daquelas da década de 60, em qualquer desses lugares a gente encontra sabedoria. Às vezes com humor, outras com profundidade. Gosto desses bottons e os coleciono. Quando acho algum muito bom, eu coloco aqui. Há pouco tempo achei esse, muito bom: 

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

ORGULHO DE MÃE II
OU
QUEM SABE, FAZ


Estive vendo, esses dias, fotos de Maria Clara. Definitivamente, minha filha fotografa muito bem! Escolhi essas pra alegrar meu Blog. Vejam e confirmem minha opinião:























terça-feira, 14 de outubro de 2014

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

PRAZERES DA VIDA II

Essa semana fui ao Sìtio Burle Marx, um passeio maravilhoso. Já havia estado lá, com amigos, mas dessa vez fiz um tour guiado, com direito a uma guia bióloga, que entendia do que falava, sabia responder a todas as perguntas sobre as plantas. 
O sítio é um paraíso ecológico: em uma área de 800 mil metros quadrados está sendo cultivado um imenso número de espécies botânicas, creio que em torno de 50.000.
Apesar de ter dito que frente à diversidade de nossa flora, não seria necessário buscar espécies em outro país, Burle Marx viajou pelos quatro cantos do mundo, coletando plantas não encontradas no Brasil.
Ao "desenhar" seu sítio, B. Marx se preocupou em preservar a flora natural, buscando integrar o jardim à natureza, usando tudo que havia no solo, como pedras para apoio das plantas e efeitos com a água das nascentes.
Segundo a guia, B. Marx deixou o sítio para o IPHAN, estipulando duas condições: a de preservar e continuar seu trabalho e a de manter empregadas as pessoas que trabalharam para ele. Esse cuidado visava não só garantir o futuro de seus empregados mas também assegurar que o que havia ensinado a eles, serviria de exemplo para os futuros conservadores do sítio.
Detalhes da visita que achei valiam como curiosidade:
- B. Marx não concluiu seus estudo, não terminou nenhum curso (e eu achava que ele era arquiteto...)
- Ele não fazia somente paisagismo: pintava (tecidos, sobretudo), fazia cerâmica, tocava piano e, segundo informado, adorava cantar, de preferência ópera.
- B. Marx adorava receber amigos e tinha a fama de ser bom cozinheiro. Na varanda da frente de sua casa há atualmente uma bancada com várias panelas de pedra sabão que ele não só colecionava, mas também usava na feitura de seus quitutes.
- Ele era o que se poderia chamar de "grande colecionador": arte barroca, cerâmica pré-colombiana, cerâmica naif brasileira, conchas de todos os tamanhos, cristais maravilhosos, etc
- Várias construções no sítio foram feitas com enormes blocos de pedra, reaproveitados de prédios derrubados no centro da cidade. A guia contou que B. Marx contratou um "mestre" espanhol, perito em montagem da estrutura de pedra somente com encaixes, sem usar cimento. Um bom (e belo) exemplo é a fonte que fica em frente a casa onde ele morava: 


- B. Marx soube do derrubamento de uma antiga fábrica de café, nas cercanias da praça Mauá. Rapidamente foi lá, numerou os os blocos de pedra, levou-os para o sítio  e remontou a estrutura da fábrica. Nesse enorme e majestoso espaço funciona um enorme atelier, muito bem equipado.  



Pra terminar, uma foto de uma árvore muito antiga, com suas lindas raízes sobre a terra.



Vale a pena ir conferir. Basta ligar e agendar a visita. E sim, já ia esquecendo, eu soube que há concertos no sítio. Se alguém resolver ir, pode me chamar...

domingo, 5 de outubro de 2014

PRAZERES DA VIDA

Passei o mês de agosto com minha filha, em Kaiserslautern, Alemanha. Foram realmente dias maravilhosos. Viajamos muito, com amigos (Felipe, Hilana e o menino mais fofo do mundo, o Eduardo), passeamos muito com o Enric e com ele percorremos parques incríveis. E viajamos só nós duas. Vimos cidades, museus, pessoas , exploramos as cidades a pé e de metrô, fomos a restaurantes de vários países, vimos o presente e o passado. 

Mas o melhor mesmo foi estar com ela e poder fazer tudo isso tendo o seu olhar e o seu sentir junto do meu. Minha filha é linda, divina,corajosa. Definitivamente, o maior presente que ganhei na minha vida

Pra matar a saudade, olho fotos desses dias maravilhosos:








E, pra terminar, o menino fofura que nos encantou tanto: Eduardo e seus biscoitos!


VALE LER

Minha amiga Celina Portocarrero traduziu o livro "Casados com Paris", de Paula McLain. Apesar do trágico título, o livro é excelente e a tradução, como sempre, primorosa.

O texto conta a história do acidentado primeiro casamento de Hemingway, nos anos 20 do séc. passado e segue com o relato da acidentada vida do dois até a velhice.

O que mais gostei foi ver que viemos discutindo, do início do séc passado até os dias atuais, a questão da fidelidade e do limite das permissividades no casamento. Minha conclusão é que a matemática continua exatamente como a daquela época: um + um só pode ser dois. Se, por um desvio do destino, o resultado for três, mesmo que se tente, não há como manter a relação sem pagar um preço muito alto de sofrimento. 

Há também outra coisa admirável dessa história: vemos a relação do casal atravessar diversas fases, a alegria da descoberta do outro, a intensidade do amor correspondido, o desespero e dor da separação. Mas, sobretudo, aprendemos que não importa o que aconteça, o amor, quando é assim, forte e imperioso, permanece e nos acompanha até o fim da vida. Não há dor ou separação que destrua ou apague esse sentimento. Apenas o tempo vai fazendo que ele seja sentido mais suavemente, vai possibilitando um afastamento físico, vai ajudando a seguir a vida. Mas o amor fica lá, enraizado.

Só pra dar água na boca, alguns trechos:

“Não conseguia esquecer nada do que ele me dizia. Era assim.”

“Agora está feito, não está? É tarde demais para voltar atrás e de qualquer maneira vc não voltaria. Voce precisa se lembrar disso mais tarde, quando vir sua mulher e quiser morrer por magoá-la. Lembrar que ninguém o obrigou a fazer coisa alguma. Nunca é alguém além de vc quem faz alguma coisa, e só por essa razão vc não deveria se arrepender.”

“- Que vão todos para o inferno. Nada nos magoa se não deixarmos.
- Vc acredita mesmo nisso?
- Preciso acreditar.”

Agora só havia mentiras e conciliações. Ele mentira para todos, a começar para si mesmo (...). Mas ele estava perdendo o controle, se é que já tivera. As mentiras ficavam maiores e mais difíceis, todo o tempo..” (como no original)

“Ele era na verdade um grande enigma – bom, forte, fraco e cruel. Um amigo incomparável e um filho da puta. No fim, nada havia a respeito dele que fosse mais verdadeiro que o resto. Tudo era verdade.”

sábado, 19 de abril de 2014

Prazer de ler Adelia Prado

Eu quero uma licença de dormir,
perdão pra descansar horas a fio,
sem ao menos sonhar
a leve palha de um pequeno sonho.
Quero o que antes da vida
foi o sono profundo das espécies,
a graça de um estado.
Semente.
Muito mais que raízes. (Exausto)
Adélia Prado

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Um pouco de Simone...

"Que nada nos limite, que nada nos defina, que nada nos sujeite. Que a liberdade seja nossa própria substância, já que viver é ser livre. Porque alguém disse e eu concordo, que o tempo cura, que a mágoa passa, que decepção não mata, e que a vida sempre, sempre continua."
Simone de Beauvoir

Mais Poesia



Se sou amado,
quanto mais amado
mais correspondo ao amor.

Se sou esquecido,
devo esquecer também,
Pois amor é feito espelho:
-tem que ter reflexo.

Pablo Neruda

FALTA DO QUE FAZER?

Tem pessoas que parecem não ter o que fazer e ficam xeretando a vida dos outros... Nessa horas, só consigo pensar no que me disse Laura, uma ex aluna:

NÃO ME INTERESSA SUA OPINIÃO. 


terça-feira, 8 de abril de 2014

Fernando Pessoa, sempre, sempre

Onde você vê um obstáculo, 
alguém vê o
término da viagem
e o outro vê uma
chance de crescer.

Onde você vê um
motivo pra se irritar,
Alguém vê a tragédia total
E o outro vê uma prova para sua paciência.

Onde você vê a morte,
Alguém vê o fim
E o outro vê o começo de uma nova etapa...
Onde você vê a fortuna,
Alguém vê a riqueza material
E o outro pode encontrar por trás de tudo, a dor
e a miséria total.

Onde você vê a teimosia,
Alguém vê a ignorância,
Um outro compreende as limitações do companheiro,
percebendo que
cada qual caminha em
seu próprio passo.

E que é inútil querer apressar o passo do outro,
a não ser que ele deseje isso.
Cada qual vê o que quer, pode ou consegue enxergar.

"Porque eu sou do tamanho do que vejo.
E não do tamanho
da minha altura."
Ainda Agualusa 

Mais uma pérola de Barroco Tropical:

. “A fonte da minha dor?
Filho da puta – o que têm os outros a ver com as minhas dores?.” 
MEDO

"O Medo degrada as pessoas, meu caro jovem. Se você mantiver a pressão, semanas, meses a fio, o Medo acaba por funcionar como uma doença. Ao princípio é apenas um incómodo persistente, como uma dor de dentes, como uma dor de cabeça, uma dor que se instala no espírito, e vai corroendo tudo. Pouco a pouco a pessoa começa a alterar o seu comportamento, começa a imaginar situações de perigo. Torna-se paranóica, perde o gosto pela vida e entra em depressão. Eventualmente mata-se.”

Uma das mais brilhantes definições de medo, e não é do Stephen King, o Rei... É do Agualusa, magnífico autor, em Barroco Tropical, pag. 87 da minha edição. Depois disso, qualquer Guerra de Tronos é brincadeira...

terça-feira, 18 de março de 2014



Dedução
Vladimir Maiakovski

Não acabarão nunca com o amor,
nem as rusgas,
nem a distância.
Está provado,
pensado,
verificado.
Aqui levanto solene
minha estrofe de mil dedos
e faço o juramento:
Amo
firme,
fiel
e verdadeiramente.


OUÇA



sexta-feira, 14 de março de 2014

Dia da Poesia



Comemorando o dia da Poesia, alguns preferidos meus:




Stop all the clocks, cut off the telephone,
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.

Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message 'He is Dead'.
Put crepe bows round the white necks of the public doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.

He was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last forever: I was wrong.

The stars are not wanted now; put out every one,
Pack up the moon and dismantle the sun,
Pour away the ocean and sweep up the woods;
For nothing now can ever come to any good.






Quanto Faças, Supremamente Faze


Quanto faças, supremamente faze.
Mais vale, se a memória é quanto temos,
Lembrar muito que pouco.
E se o muito no pouco te é possível,
Mais ampla liberdade de lembrança
Te tornará teu dono.

Ricardo Reis, in "Odes"
Heterónimo de Fernando Pessoa





Meditação do Duque de Gandia
sobre a morte de Isabel de Portugal

Sophia de MelloBreyner Andresen



Nunca mais

A tua face será pura limpa e viva
Nem teu andar como onda fugitiva
Se poderá nos passos do tempo tecer.
E nunca mais darei ao tempo a minha vida.

Nunca mais servirei senhor que possa morrer.

A luz da tarde mostra-me os destroços
Do teu ser. Em breve a podridão
Beberá os teus olhos e os teus ossos
Tomando a tua mão na sua mão.

Nunca mais amarei quem não possa viver

Sempre,
Porque eu amei como se fossem eternos
A glória, a luz e o brilho do teu ser,
Amei-te em verdade e transparência
E nem sequer me resta a tua ausência,
És um rosto de nojo e negação
E eu fecho os olhos para não te ver.

Nunca mais servirei senhor que possa morrer.