HAHA

"Imagino que sempre se possa ter esperança."

Stephen King

"Prenda-se ao seu foco. Essa é a diferença entre uma boa pintura e apenas mais uma imagem entulhando um mundo repleto delas."

Stephen King

quinta-feira, 11 de maio de 2017

                                          
Vem a madrugada e me pergunto,
onde está meu amado

Caminha ao meu lado
a sua sombra
dorme ao meu lado
a sua ausência

E na madrugada, me pergunto
onde está meu amado

Só então entendo
que ficou pelo caminho,
em sua teia enredado,
em seus segredos, perdido
mergulhado em seus amores,
em seus sonhos, paixões.

E na madrugada me pergunto
como será o amanhã.
                        

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Pérolas autênticas

"Às vezes temos medo de alguma coisa apenas porque temos medo de outra."

"O problema é que não temos uma visão de conjunto de nossa vida. Nem pra frente nem pra trás. Se alguma coisa  correr bem, é porque tivemos sorte."

Trem Noturno para Lisboa, Pascal Mercier, 


MAIS UMA TELA ...

LÍRIOS PARA ALOMA



TM, (óleo sobre acrílica)
60 x 100cmm

terça-feira, 30 de junho de 2015

Pois não é?


“Alguns sabem provocar o amor no outro, os serial lovers – se posso dizer – homens e mulheres. Eles sabem quais botões apertar para se fazer amar. Porém, não necessariamente amam, mais brincam de gato e rato com suas presas. Para amar, é necessário confessar sua falta e reconhecer que se tem necessidade do outro, que ele lhe falta. Os que crêem ser completos sozinhos, ou querem ser, não sabem amar. E, às vezes, o constatam dolorosamente. Manipulam, mexem os pauzinhos, mas do amor não conhecem nem o risco, nem as delícias”.
(Jacques-Alain Miller)




Admiração

Há que se reconhecer e louvar um texto bem escrito, bem pensado. Essa é a marca de Antonia no Divã, um blog fantástico, feminino sem ser frescamente feminista, sensato sem ser careta, ousado sem faltar classe e, sobretudo, verdadeiro, emotivo, audaz. Cada nova "sessão traz relatos que mostram claramente as marcas do vivido, a vida em toda sua extensão, o passado, presente e futuro, tudo dito sem medo de expor o mais íntimo, às vezes o mais doloroso e o mais difícil, a felicidade e o amor.
Antonia no Divã merece palmas, com certeza. As minhas, ela pode contar com elas a cada post.
Só pra dar água na boca, Antônia no Divã


ANTES SÓ VINHO, DO QUE MEIO ACOMPANHADA



Neste domingo, um grande número de amigas que há tempos não se via reuniu-se para uma celebração. O evento pra mim era duplamente proveitoso: eu ia matar a saudade das minhas amigas e de quebra voltar pra casa cheia de ideias para as minhas sessões. Atualizávamo-nos de nossas vidas (nada) amorosas, quando me dei conta de uma realidade alarmante. Estávamos todas ficando com o mesmo cara. Sim, todas. As mesmas desculpas, as mesmas saídas pela esquerda, os sumiços repentinos, reaparecimentos randômicos e as mesmas artimanhas de virada de jogo. Eu escutava uma a uma delas, pensando “meu Deus, mas essa história é minha!”. E não era. Era a nossa.

Algumas conferencias de nomes Vs fotos do Facebook verificamos que de fato, literalmente não estávamos envolvidas com a mesma pessoa – quem duvida que o mundo é minúsculo é louco – entretanto no lado figurado da questão, a história só mudava de CPF e tamanho do… do pé (vamos deixar o pé). Negava-me a acreditar que mulheres tão diferentes, com desejos tão singulares, envolvidas com caras nada parecidos pudessem estar sofrendo da mesma angustia. Examinei com cuidado as histórias pensando que tamanha coincidência podia ser uma coisa regional, ou de uma determinada faixa etária, ou ainda talvez fosse um defeito de um grupo social específico. Não, não era possível tanta similaridade. Deixei a pauta de lado, visto que desconfiava de certo nepotismo da minha parte decorrente do encerramento do meu atual pseudo-romance. Tinha certeza que estava distorcendo as histórias para fortalecer o meu despeito.

Acontece que a pauta ganhou nova força na segunda-feira, quando me deparei com um texto do Daniel Bovolento. Conheci o trabalho do Daniel, autor do blog “Entre Todas as Coisas”, quando o mesmo gentilmente me escreveu elogiando um texto meu que havia viralizado. Desde então passei a acompanhar o trabalho do Daniel, que apresenta uma sensibilidade bem rara nos assuntos do coração – razão pela qual ele tem centenas de fãs e uma enxurrada de suspiros a cada post. Pois ele, um homem, estava deparando-se com a mesma sina em sua piscina de opiniões. O autor do blog pediu para que suas leitoras que indicassem motivos pelas quais elas estavam largando os caras de mão. Qual não foi a minha surpresa ao descobrir que a pesquisa dele, reproduzia exatamente o meu papo de domingo com as minhas amigas.

Foram elencadas 7 principais mancadas propagadas pelos cuecas: 1)“Vamos marcar/A gente se fala”. 2) “Você não deu a entender que tava afim”, ou como eu prefiro chamar a virada de jogo ou ainda o pulo do lambari. 3) “A gente ainda não tem nada”. 4) “Ta fazendo alguma coisa agora?”, ou como as minhas amigas e eu chamamos, o ressurgimento das cinzas. 5) “Tô querendo conhecer alguém legal e ver no que dá”, ou em outra interpretação, se eu disser que é só sexo vou parecer cachorro. 6) “Não tinha visto a sua mensagem”, o famoso vácuo. 7)“Tava ocupado esses dias”, ou em outra analise contornando a situação pra não perder a moita. Pelamordedeus. O texto (clique aqui) era praticamente um roteiro da minha ultima D(n)R –discutindo o não-relacionamento. Com interpretações e dicas bem pessoais do autor, mas ainda sim, tão minhas. Tão nossas.

Tentei por horas justificar o injustificável. Coloquei-me no lugar deles e tentei entender o que provoca essa ausência de clareza entre os wannabe-lovers. As meias verdades. Meias desculpas. Meias conversas. Meias presenças. Pensei que talvez eu pudesse não deixar claro que eu prefiro fazer sexo a fazer jogo – aliás que eu odeio fazer jogo. Mas eu sei que me entrego com todos os versos que encontro, mesmo que por vezes me vejo tola sobrevivendo da lembrança de contatos esporádicos no meio de angustiantes desaparecimentos. Me indaguei se de repente o que faltava entender este Clube do Bolinha , é que nós realmente preferimos as verdades inteiras e o papo reto sem firulas ou açúcar. Nós já não somos mais as mesmas desde a obra “Ele simplesmente não esta afim de você”. O que também não quer dizer que queremos arrastar alguém para o altar simplesmente por não tolerar nos colocarem na prateleira ao bel-prazer.

Talvez a culpa seja realmente minha. Ou nossa. Quando eu comecei a namorar lá na adolescência, minha mãe disse que eu devia começar mais tarde – óbvio que eu, teimosa como toda rebelde boba, contrariando a orientação dela, me entreguei bem cedo aos delírios e tragédias do amor. Anos se passaram e com ele um acúmulo de cicatrizes, e uma pá de mentiras e desculpas que não me pegam mais. Todo novo inicio prometo que vou começar leve, tentar deixar minha bagagem emocional bem longe da cama – e perto da geladeira onde ela pode esfriar. De fato o que a minha mãe anunciava há 15 anos é que a minha tolerância com meias entregas, meias verdades ia ficar comprometida. E ela estava certa. Ela irritantemente sempre está.

Eu tenho a paciência curta pra enrolação. Não me assusta a decepção de uma rejeição, ninguém é obrigado a gostar de mim. Eu respeito os pontos finais. São deles que surgirão novas linhas, novos personagens, novas historias. Por isso não me venha com reticências, ponto e vírgula, interrogações, frases incompletas, ausência de contexto. Faz história quem tá presente, do contrário é memória.

A esta altura na minha existência afetiva, concluí que se for pra estar por perto, eu não trabalho meia fase. Quero tesão, assistência, energia, retorno – não precisa ser namoro, casamento, relacionamento, eu escolho o discernimento. Basta ter coerência, consistência, coesão. Guarde suas 7 (e outras) desculpas, pois eu não vou esperar você decidir se vai me escolher para provar. Lembre-se que única coisa que fica boa com o tempo esperando ser escolhida da prateleira é vinho. E convenhamos, então antes só vinho, do que meio acompanhada.

Taça pra uma pessoa, por favor.

Fim da sessão.

Nota para as minhas amigas/leitoras: Vinho e fé♥, garotas. Meu sincero agradecimento pelas contribuições nesta sessão.

terça-feira, 4 de novembro de 2014


Quem sabe , faz

um poema de Fernando Pessoa


"É fácil trocar as palavras,
Difícil é interpretar os silêncios!

É fácil caminhar lado a lado,
Difícil é saber como se encontrar!

É fácil beijar o rosto,
Difícil é chegar ao coração!

É fácil apertar as mãos,
Difícil é reter o calor!

É fácil sentir o amor,
Difícil é conter sua torrente!

Como é por dentro outra pessoa?
Quem é que o saberá sonhar?

A alma de outrem é outro universo
Com que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro entendimento.

Nada sabemos da alma
Senão da nossa;

As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,

Com a suposição
De qualquer semelhança no fundo."


quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Lições de Vida 

mais algumas




a próxima eu devo a Rafael Alberti
 poeta espanhol da geração de 27